sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Prós – Ti – Tu - Ta Humanidade




o céu adormece de hora a hora cansado
silêncio de espanto a beber a grávida inocência
que o tempo transforma em lama
são estas as memórias penteadas pelas mãos
a coroar rimas como sons de flautas verdes
sobre bocas minerais e lentas-
trago dos séculos o feitiço
o  oco germinar das  multidões
que na voz se cala

já nem eu sou lugar de refúgio –
assim acontecem todas as ocupações
tempo em que apodreces
                            apodreço
                            apodrecemos
ao relento de qualquer rua  vazia e intacta



maria andersen 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

trago palavras no olhos penduradas à luz de qualquer vento



 
sou esta sendo algo mais que não sei dizer 
trago palavras no olhos penduradas
 à luz de qualquer vento
é tarde -  e as horas são um colar ao redor da vida
feito de pedraria que se quebra contra os dedos –
o tempo corre sem ter pernas
como corre a serpente agarrada à terra
carpindo mágoas – ao redor da cabeça
como estrelas rotas a verter  luz
sou isto
&  aquilo que aperto dentro da boca
nessa dança louca à flor da pele
onde as águas agonizam presas ao ventre –
tenho nos olhos brisas reunidas
nas veias poemas a arderem  como candeias –
inquietas rosas nas línguas que a sede gera
& mordo a seiva em que se desfaz a solidão
& os dedos secam  como se estivessem tristes
como se os braços doessem de me apertar o peito
& são estas coisa vivas & mortas
que me amordaçam em plena rua de mim mesma


quebra-se o pensamento quando o cão ladra
a tarde  ergue-se em repouso no cabelo
onde as luas adormecem


maria andersen
Digo dos teus olhos a nascente –
uma árvore povoada de verde quietude a recolher versos
 
 
maria andersen

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

multiplique (Dimi Éter)

 
 
 
 
 
só os corações é que somam
são as cabeças que dividem
multiplique isto por dois
não há o que subtrair
 
 
 
Dimi Éter

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PELO TEMPO CRIADOR









 
Dentro dos meus olhos
“onde ninguém suporia”
há uma mesa cheia de livros
onde as palavras se entrelaçam
& ao centro um busto de homem
onde os olhos contradizem
todas as regras

em suas mãos celebra-se um poema
pelo tempo criador
deste silêncio:
a vida



 
Maria Andersen

no thank`s (Dimi Éter )

 
 
 
 
 
no thanks
jamais será
como antes
nem tente
quero o de sempre
i' drink and eat
e no fogo
acalmo e salvo
o que puder da vida
nem que seja um palmo
de partida
na hora da chegada